Eco
Vê, Faz, Aprende! - 2ª parte
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Fala com o teu amigo, usando os auscultadores. Cada auscultador possui um microfone. Verificarás que é muito difícil conversar. Porquê?
Nos ascultadores, um dispositivo electrónico grava e reproduz o que disseste cerca de um 1/3 de segundo depois, um ligeiro atraso que torna a conversa com o teu amigo muito difícil.
Quando falas, o cérebro envia uma complexa sequência de ordens aos músculos da boca, ordens essas cujo timing é precisamente calculado. Quando aprendestes a falar, aprendeste também a realizar este cálculo.
Quando falas, ouves os sons que produzes, um facto de que o teu cérebro aprendeu a tirar partido. O cérebro está sempre a comparar o som do que dizes com o que pretendes dizer, se detectar alguma diferença, envia um sinal de controlo a fim de corrigir os músculos e eliminar essa diferença. Designa-se este fenómeno por “controlo de feedback”, ou seja, o som gerado é devolvido ao cérebro através do ouvido.
O controlo de feedback é utilizado em todo o corpo humano para controlar todo o tipo de movimentos complexos, mas também a temperatura do corpo, a pressão arterial e até o comportamento social. O controlo de feedback é utilizado de forma generalizada na tecnologia, desde as máquinas simples até aos sistemas mais complexos. O simples termóstato, utilizado para controlar a temperatura em casa baseia-se no controlo de feedback. A temperatura é medida através de um sensor, e é depois comparada electronicamente face à temperatura programada, através do comando de regulação da temperatura, sendo a diferença entre o valor fixado e a temperatura real, que desencadeia o sistema de aquecimento ou arrefecimento.
É fácil explicar porque temos tanta dificuldade em falar quando temos os auscultadores postos. O atraso causado pelos auscultadores perturba o feedback do teu sistema de controlo da fala. Ora, estes atrasos não ocorrem normalmente, e quando ouvimos a nossa voz com algum atraso, é porque o cérebro se está a atrasar nos cálculos.
O feedback é um elemento essencial do sistema de controlo da voz, o que talvez explique porque falar é tão difícil para os surdos e pessoas com problemas de audição.
Referimos mais acima, para simplificar, que o “cérebro envia uma complexa sequência de ordens aos músculos da boca”, mas a fala é gerada pelo chamado “sistema articulatório”, o qual envolve numerosos elementos que, por sua vez, têm outras funções além do seu papel na fala.
Primeiro, os pulmões, com a ajuda dos mesmos músculos utilizados na respiração, geram uma espécie de pressão de ar. As cordas vocais situadas na laringe (de que faz parte a maçã de Adão, nos homens), produzem vibrações com o ar vindo dos pulmões que, por sua vez, produzem os sons da fala (vogais e consoantes como o “m” e o “n”). Se não for vibrado, o ar dá o som “s” ou “f” e muitos outros tipos de sons. Depois, uma série de músculos determinam a posição dos maxilares, a forma e a posição da língua e a tensão dos lábios, para obter a forma e tamanho adequados da abertura da boca. Uma válvula especial faz, por vezes, passar o som pela “cavidade nasal” (o interior do nariz) e, por vezes, bloqueia-a.
A forma da cavidade bucal confere à voz as suas propriedades acústicas. Essas cavidades funcionam como ressoadores. Para verificares como funcionam, basta levares as mãos fechadas num punho pouco cerrado aos ouvidos: constatarás que a qualidade do som se altera. Ao fechares mais ou menos o punho, a qualidade do som varia. Praticamente, qualquer objecto oco, como uma chávena de café, um copo ou uma garrafa de Coca Cola, pode servir de ressoador. As conchas são agradáveis ressoadores, quando colocadas contra o ouvido ressoam e amplificam determinadas frequências do som das ondas do mar.
A forma do sistema articulatório varia com a idade, o sexo e o indivíduo. Para se pronunciar uma vogal, por exemplo “a”, a forma deve ser correcta para que os nossos interlocutores possam ouvi-la, podendo ainda detectar a tua idade e o sexo e, o que é mais impressionante, em muitos casos permite-nos identificar a pessoa que está a falar. É um facto que conseguimos reconhecer os membros da nossa família e amigos pela voz.
Geralmente diz-se que reconhecemos a voz de alguém, mas na realidade o que reconhecemos é a forma da sua garganta e boca.
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